pesquisa & pedagogia

nossa prática em advocacia espacial coloca uma série de questões éticas, políticas e conceituais que buscamos aprofundar em pesquisas e debates. o que significa pensar e agir no espaço – doméstico, urbano, territorial e ambiental – a partir do entendimento de que as relações espaciais são elementos definidores da arena dos direitos fundamentais? e se o espaço é território dos direitos, deve-se partir do entendimento que o ambiente natural e construído também constitui meio de violação destes direitos. o design – aqui entendido de forma ampla, como campo expandido e transdisciplinar de saberes e práticas espaciais – opera como instrumento tanto protetor como violador de direitos cujo fundamento e exercício dá-se no e pelo espaço. nesta economia de proteções e violações, as violências são distribuídas de maneira desigual no tecido sócio-espacial seguindo estruturas coloniais de poder baseadas em exclusões de classe, gênero e raça que condicionam as sociedades contemporâneas.

 

partindo destas questões, a agência autonoma articula debates entre pesquisadores, ativistas, comunidades e atores culturais, dentro e fora da FAU-UnB. atualmente estamos trabalhando em dois eixos de discussões e pesquisa:

mídias, dados e direitos  

 

nos anos 1990, quando as comunicações digitais ainda eram uma novidade do emergente mundo globalizado, havia certo consenso (e esperança) de que as possibilidades de expandir a capacidade de transmitir e circular informação seria o motor de uma sociedade mais democrática e transparente, onde o público teria acesso quase que imediato – isto é, sem mediação – a realidade e a verdade dos fatos. hoje sabe-se que a crença no potencial emancipatório democrático das tecnologias digitais é uma miragem ideológica. não apenas as tecnologias da informação foram transformadas em um grande aparato de vigilância global centralizado, como também vivemos em meio a uma ecologia tóxica de fake-news, bots e mílicias virtuais. no contexto de uma esfera pública global contaminada pelos efeitos da pós-verdade digital, o engajamento cívico com as tecnologias da informação, novas mídias, dados e imagens torna-se cada vez mais critico como forma de expor e contestar abusos de poder. práticas investigativas, jornalísticas, curatoriais e artísticas assumem papel fundamental dentro do campo de disputas de narrativas.

 

arquitetura como advocacia

 

existem várias formas de se descrever e interpretar o espaço urbano. alguns enfatizam aspectos funcionais e tecnológicos, outros pendem para sua dimensão cultural, outros focam o papel econômico das cidades. a imagem do urbano se apresenta como um sistema de infraestruturas e fluxos, como um complexo conjunto semiótico, como uma fábrica industrial, como um aparato policial...  devemos adicionar à este léxico visual/epistemológico a imagem do urbano como uma rede de direitos que nos conecta entre si e com o ambiente natural e construído. e partindo desta interpretação, situar a prática da arquitetura como uma forma de advocacia destes direitos. a prática da arquitetura e do planejamento está diretamente associada à formas de violação de direitos, e deste modo carrega consigo  implicações éticas acerca de seus impactos no território e nas comunidades que cultivam estes territórios. em paralelo, os saberes da arquitetura e suas formas de representação, tanto no campo da pesquisa quanto no campo da prática, oferecem ferramentas que podem ser mobilizadas para a constituição e proteção de direitos, deste modo contribuindo para processos de justiça social e reparação histórica.

 

pesquisadores associados

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Cristina Müller

urbanista e arquiteta, atualmente mestranda na FAU-UnB. Como mulher lésbica cisgênera, estuda gênero, sexualidade, LGBTI+ e direito à cidade.  Sua vivência da cidade a estimula na busca pela integração urbana de minorias. Participou da fundação do Coletivo Feminista Urbanas, da Universidade Federal de Santa Catarina, bem como do projeto de arte Lambe.ai, que tem o intuito de espalhar  ‘deboche sapatão’ nas cidades, para trazer visibilidade à existência lésbica.

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Laila Loddi

arquiteta e urbanista, mestre em Cultura Visual pela Universidade Federal de Goiás, professora da Universidade Estadual de Goiás. Atua nas fronteiras entre arquitetura, arte e educação, com interesse nas expressões de autoconstrução em periferias. Trabalha com assessoria técnica através de projetos de extensão universitária popular, e atualmente realiza pesquisa de doutorado sobre arquivos de remoções e apagamentos na formação do Distrito Federal.

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Marcelo Pinto

filósofo e advogado, dedicado a filosofia política, atuando principalmente em temas como governo da vida, gestão das populações, estado de exceção e regimes de subjetivação.  É professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília.

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Talita Maboni

arquiteta e urbanista, trabalha com assessoria técnica em arquitetura social, e atualmente desenvolve pesquisa sobre as relações entre ativismo, humanitarianismo e arquitetura.  Estudou Urban Management and Sustainable Development em Rotterdam, no Institute for Housing and Urban Development Studies, em 2014/2015. Foi extensionista do PEAC Periférico: Trabalhos Emergentes, entre 2016 e 2018 na UnB

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Bárbara Helena Barbosa

graduanda em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de Brasília (UnB). Possui estudos no campo urbanístico, com foco na produção e organização do espaço e seus diversos agentes, atuando nos temas de planejamento urbano, papel do Estado e gestão urbana e políticas urbanas. Participou do Coletivo Mayumi Lima, coletivo feminista formado por estudantes de arquitetura com o intuito de fomentar o debate de gênero na universidade, e do projeto de extensão da FAU-UnB CASAS, voltado para habitação de interesse social e práticas sustentáveis.

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Luiza Castelo Branco 

graduanda em em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de Brasília (UnB), atua no campo do projeto e do planejamento, com foco no estudo da paisagem urbana, infraestruturas sociais e representação gráfica.